02 abril 2010

NOVO VESTIBULAR PARA A UFPA

O PSS, sistema pensado para a valorização das 3 etapas do ensino médio, tornou-se um sério problema na sociedade paraense, a cobrança excessiva e antecipada, que este sistema produziu em todos os candidatos a universidade, revelou uma concepção errada do que é o ensino universitário ou pelo menos do que ele deve ser. Esse fenômeno desde o primeiro ano ou primeira série do ensino médio, vicia os alunos em uma rotina exaustiva de anti-politização e acriticidade,frente ao ensino que precariamente lhes é oferecido, ainda, quando consideramos os alunos de classe média, em geral alunos da rede privada, nos defrontamos com uma ploliferação de cursinhos pré-vestibulares para todas as idades, alunos que não completaram seus 15 anos, passam suas noites movimentando o financeiro de expeculadores educacionais, grupos econômicos que em grande parte das vezes, não possuem qualquer compromisso com a educação, menos ainda com a construção de valores. Também, não se poderia cobrar que fosse diferente diante de um processo, torno a mencionar, exasperado e acrítico, que orienta o currículo do ensino médio para uma realidade que não é a que se busca construir na unversidade.



Certo é que a metodologia adotada pelo novo ENEM representa uma melhoria e um progresso para a academia e para o ensino médio, vez que estes poderão abordar o conteúdo de maneira crítica e organizada, enquanto nós, poderemos contar com calouros em melhores condições de contribuir para o enriquecimento científico. Entre tanto, a metodologia, é o único vestigio de acerto no novo ENEM. Visto que, universalizar um processo de avaliação e seleção acadêmica em um país de proporções continentais, como é o nosso, é sem dúvida um esforço inútil e fadado ao insucesso, apenas para iniciar o debate, gostaria de apontar algumas questões que assombram minhas melhores espectativas:



1. Como se dará a escolha do conteúdo de disciplinas que históricamente se aplicam a realidades regionais? Será que os nossos alunos nunca mais estudarão a cabanagem, a adesão a independência pelo Pará, o Rio Amazonas e os biomas regionais? Ora, estou certo que para os Paulistas fundamental é conhecer sobre a Revolução de 32, para os alunos do Distrito Federal spbre a construção de Brasília, mais certo estou de que aluno nenhum se interessa pelo que não é usualmente cobrado nos exames (difícil seria exigir tal nível de conscietização acadêmica dos nossos candidatos e futuros candidatos).



2. Como se dará a concorrência entre alunos oriundos na rede pública de ensino de outros estados? Que futuro devemos esperar para os alunos da rede pública paraense ? Que tipo de democratização do ingresso ao ensino superior se busca construir? Aparenta ser um contrasenso, que a mesma universidade, que acertadamente modificou o seu sistema de ingresso para ofecer condições materiais de igualdade aos alunos da rede pública, agora caminhe no sentido contrário, permitindo que esses mesmos alunos, concorram com por exemplo os alunos da rede pública de ensino dos munincípios do interior do estado de São Paulo, que notóriamente recebem maiores investimentos do que os nossos alunos, como é o caso de munincípios como São José dos Campos ou São Caetano, modelos para todo o Brasil em termos de educação.



3. Essa mudança que incentiva um grande aumento no fluxo migratório estudantil entre os estados brasileiros, no meu ver findará por acrescer em muito o número de evasão dentro das universidades de todo o Brasil, uma vez que a realidade que os estudantes encontram dentro da universidade, é muito distante daquilo que imaginaram no afã de uma aprovação fora do seu estado de origem.



Por todos esses motivos, e ainda por outros que carecem de esclarecimento, é que me posiciono contra a aplicação do ENEM na nossa Universidade Federal do Pará, mas a favor da utilização apenas de sua metodologia, considerando o que já foi exposto.



Venha participar desse debate, segunda dia 6 as 8:00 no centro de convenções da UFPa.

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