01 maio 2017

Homenagem do Centro Acadêmico de Direito Edson Luís aos Trabalhadores do Brasil

Trabalhadores do Brasil, vede tua história ser contada, desde os confins de nossa memória, nas terras de pindorama, tão sagradas e imaculadas, em que os índios, tão laboradores, plantavam e cultivavam, viviam da subsistência e da pesca, construíam suas casas rústicas e matizavam seu chão de louvores e cultos aos seus deuses e ancestrais, seus místicos e pioneiros construtores. 
No entanto, aqui aportaram os homens de um só grande arquiteto, o supremo trabalhador, europeus devotos do grande artesão do universo, construíram cidadezinhas, igrejas e fortificações. Levantaram bandeiras e desbravaram nosso interior. Com eles foram caixeiros viajantes e mascates suprir os exploradores e ver as Minas Gerais derramarem ouro e preciosidades. Assim, o trabalho urbano no Brasil florescia. 
Rebelaram-se os índios e trouxeram-se, à força e duras penas, os negros de seus reinos e terras de além-mar, cativos pedindo a clemência de Nosso Senhor, pai Oxalá. Guerreiros malês, bantus e yorubás, montaram quilombos e resistiram contra a escravidão. Nos seus braços ergueram-se essas terras, o trabalho na cana e no alambique. Nas bases da Casa Grande, a senzala. As mucamas vendedoras e as baianas rendeiras, com seus quitutes e mimos, laboravam cantando lamentos, como os seus irmãos nos cafezais, sobre seus dissabores e sofrimentos. 
Em meio ao doloroso trabalho, o Império se ergueu e a independência emergiu, as cidades cresceram e a liberdade raiou no papel. O imigrante, sonhando com um futuro melhor, veio neste lugar seu sonho concretizar, ainda que em fragmentos. Cuidaram da lavoura, das fazendas, trabalharam ferrenhamente hora após penosa hora na indústria. Suíços, alemães, espanhóis, japoneses e italianos, trouxeram a força e construíram o Brasil com a lida diária, fizeram-se grandes neste país. 
Caía a Oligarquia, vinha Vargas e o populismo, a revolução conclamava os trabalhadores do Brasil, que viam seus direitos se consolidarem, ganhando uma justiça especial para si, aparecendo as Juntas de Conciliação e Julgamento do trabalho, de 1932. Viam suas lutas se tornarem realidade e os abusos dos empregadores, tão tortuosos e dilacerantes, se atenuarem. Em 1º de maio de 1943, ingressou no ordenamento brasileiro o Decreto-Lei nº 5.452, trazendo em seu bojo a esperança, ainda que tão tardia. 
Também sonhou com um tempo melhor o nordestino, que laborou Brasil afora, fugindo da seca e da miséria, do castigo do sol no sertão, esquecidos no quintal do país. Alicerçaram as grandes metrópoles, martelada com martelada, de emprego em emprego, sangue e suor na construção cotidiana cantada por Buarque. Neste embalo, candangos ergueram Brasília, a capital da esperança, símbolo de um novo horizonte. Levaram seu labor aos quatro cantos deste chão. 
Em sessenta e quatro, tudo se tornou escuro e sombrio. O trabalhador era silenciado, suas lutas e conquistas estavam cerceadas, mas não se renderam aos ardis e com luta e garra tornaram o trabalhismo em rebeldia. Sindicatos e associações se agitavam por direitos e as greves explodiam em prol da democracia. Nas mãos de cada brasileiro, o jogo do trabalho na dança das mãos de Elis redescobria o progresso e a luz de um amanhã melhor em oitenta e oito. 
Avante operários, professores, rodoviários, jornalistas, advogados, bibliotecários, médicos, ambulantes, motoristas, servidores, empregados, todos aqueles que labutam diariamente nos rincões desta nação, levantem vossas bandeiras e rememorem suas vitórias, o primeiro de maio simboliza as vossas conquistas e galardões. Façam-se instrumentos de um país justo, livre e igualitário. Que ninguém apague as suas histórias e que elas ecoem e se eternizem por todos os dias até o findar dos tempos. 
O primeiro de maio é só um de todos os dias do trabalhador.
Neste ensejo, afirma-se o compromisso deste Centro Acadêmico no fomento de diálogos e lutas em relação as mais diversas temáticas, deixando aqui o convite para uma roda de debate relacionada à temática em observância. Assim, convoca-se a comunidade acadêmica e civil para uma roda de debate sobre a proposta de Reforma Trabalhista que tramita hodiernamente no Congresso Nacional. Horário e data serão divulgados posteriormente.

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