07 maio 2018

130 anos depois - Universidade pra quem?


"... Por muito tempo as pessoas se recusaram a acabar com a escravidão. A brutalidade de um trauma violento pode ser mais fácil de suportar do que a brutalidade da insignificância.", essas são as palavras de Mahommah Garfo Baquaqua, ex-escravo pernambucano que as profere em sua auto-biografia publicada em 1854 no Estados Unidos. Neste livro ele relata os anos que passou servindo ao seu senhor, o qual ele define como um tirano nunca satisfeito, e o processo que sofreu desde sua saída da África até a chegada no Brasil. Baquaqua, como muitos outros escravos, preferia a morte do que se submeter às injustiças diárias, entretanto, sua tentativa não funcionou e ele foi severamente punido por suas atitudes. Não existia empatia pelo o que os escravos passavam, eles apenas eram vistos como objetos descartáveis, sem sentimentos, racionalidade e direitos. 
O movimento abolicionista no Brasil só começa a ser fortalecido em 1870, vinte anos após a abolição do tráfico negreiro, sendo mais visto como uma vantagem econômica pelos ingleses do que de fato uma luta por direitos e emancipação. Só dezoito anos depois, no dia 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assina a lei Áurea, denominada assim graças ao caráter glorioso da lei, que por fim a exploração desumana de trabalho. Um documento de apenas dois artigos, o qual garantiu a liberdade formal de milhares de pessoas.
Mesmo sendo a "Lei de ouro", a sanção desta não trouxe grandes mudanças na vida dos escravos tendo em vista que esse ganharam a liberdade formal, contudo, não tiveram nenhum apoio para se inserir na sociedade brasileira, muitos foram empurrados para os morros e favelas. Sem qualificação para conseguir empregos, viviam mendigando ou procuravam trabalhos com seus antigos senhores. 
Ainda em 2018, infelizmente, é perceptível as consequências das atitudes de anos atrás. Dados do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostram que dos 6,8 milhões de analfabetos em todos o país, 71,6% São negros mais que o dobro em relação a população branca. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os negros representam 53,6% da população, mas eles representam apenas 17,4% da parcela mais rica do país. O IBGE divulgou também que em 2015 apenas 12,8% dos negros chegaram ao nível superior, número equivalente a menos da metade dos jovens brancos. Ademais, entre os 10% com os menores rendimentos do país, ou seja, com rendo de 401 reais, a parcela da população negra chega a 78,5%. 

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