22 março 2019

I Workshop sobre Racismo Epistêmico e Universidade

Os racismos atravessam e impactam de diversas formas as existências, considerando, inclusive, que algumas vidas não podem existir em sua completude. Nesse sentido, conseguir romper as barreiras da ausência de oportunidades que foram propositalmente construídas para selecionar quem deve estar nos espaço de produção de conhecimento já é motivo de comemoração. Mas a pergunta que devemos nos fazer a partir de então, é como temos ocupado esse espaço? A quem tem servido nossos corpos e conhecimentos? Quantas autoras e autores que apontam para discursos não hegemonicamente europeus e norte-americanos estamos aprendendo e ensinando? O racismo epistêmico enquanto um mecanismo de exclusão de corpos, saberes, memórias, narrativas e histórias fala de um apagamento estrutural e institucional de outras possibilidades de pensar, construir e existir em um mundo masculino, branco euro-estadunidense, cisgênero, heterossexual, sem deficiências, classe alta e regulados por uma moral cristã. Dependendo dos marcadores sociais da diferença que carimbam corpos e ao mesmo tempo se transversalizam, passam a ocupar lugares específicos na sociedade e a estar mais ou menos suscetível a vulnerabilidades em espaços que se pretendem unos, como a universidade. Ser mulher, negra, amazônida, quilombola, indígena, cigana, transexual, pobre, LGBTQI+, com deficiência, de religiosidades diversas é saber que a invisibilidade e silêncios nos marcam e tentar construir outras possibilidades que viabilizem (novos) significados são rechaçados, ficando mais a cargo da sorte de encontrar um docente comprometido com o rompimento da hegemonia, do que proveniente de uma estrutura que compreende as diferenças como potência e não como desigualdades. Do mesmo modo, perceber as singularidades das experiências que determinados corpos compartilham entre si, sem mais uma vez cristalizar em identidades essencialistas e universais é um desafio para toda pesquisadora e pesquisador comprometido social e politicamente que precisa estar criticamente atente para suas práticas e construções de conhecimento.  Na íntegra no Facebook.


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