13 maio 2019

13 de Maio: Dia da Abolição da Escravatura


Comemorar os pequenos avanços e se agarrar nas grandes lutas do passado sempre serão importantes maneiras para seguir firme. Mas são nesses momentos que o olhar aguçado capta uma necessidade ainda maior: a de contextualizar as batalhas do presente. A Lei hoje comemorada não extingue os resquícios das amarras em um país que carrega e reproduz diversas das marcas deste período. 


Depois de mais de 300 anos de escravidão, quase 50 sem direito ao voto (Direito ao voto conferido aos negros em 1934), vários anos até o início de políticas públicas de acesso à educação (Política de Cotas - 2002), até os desafios cotidianos de se pensar o corpo negro nos espaços e tudo que envolve a atmosfera maciçamente racista que se esconde atrás de antigos padrões sempre rememorados.


Nós do Centro Acadêmico de Direito "Edson Luís", utilizamos essa data para lembrar primeiro, que não se trata de um “favor” ou “presente” concedido por terceiros, mas sim um reconhecimento formal de anos de luta e resistência do povo negro em um movimento de libertação já consolidado. 


Segundo, evocar tudo que ainda há para ser feito. Que essa seja mais uma data que chama atenção para o baixíssimo índice de negros em postos etilistas e padronizados, mas o alto número de negros nas penitenciárias. Que lembre o quão imprescindível é lembrar do peso da discriminação de gênero, mas também da complexidade que envolve o feminismo negro. Que alcance o extermínio da juventude negra, o padrão de beleza e a falta de representatividade. Que não se aceitem piadas, silêncios, apagamentos e expulsões. Que não se chame de “mal entendido” 80 tiros “sem explicação”. 
Que antes de não se considerar racista, que nos mostremos anti-racistas. Essa sempre deve ser a pauta unida à bandeira que carregamos. 

Que a reflexão sobre “liberdade” se aproxime da dignidade, para aí sim falarmos melhor sobre comemoração.

Arte: Helil Aguiar
Texto: Cattarina Rique

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